| Rizemberg Felipe |
O vice-governador Rômulo Gouveia (PSD)
autorizou em tom de 'desafio' a quebra do sigilo bancário dele e da
esposa, a deputada Eva Gouveia (PTN), por parte da Justiça diante do
indiciamento da Polícia Federal (PF). A resposta ao indiciamento da
polícia foi dada durante entrevista coletiva realizada na manhã de
ontem, na sede da Associação Paraibana de Imprensa (API), em João
Pessoa. O ex-deputado, que se declara inocente das acusações, foi citado
no Inquérito de Indiciamento por suposto envolvimento em um esquema de
desvio de recursos públicos do projeto 'Jampa Digital' e endureceu o tom
ao afirmar que há conotação política nas denúncias em vários Estados, a
exemplo da Paraíba, Pernambuco e Mato Grosso.
Rômulo Gouveia reforçou que vai à Justiça para garantir o direito de
poder se defender das acusações. “Estou extremamente tranquilo porque a
verdade sempre vence e disso eu tenho certeza. É importante dizer que
esse pedido de indiciamento ainda será submetido ao Ministério Público
Federal e eu terei o direito de defesa que eu não tive até agora dos
fatos que foram colocados no indiciamento. Não posso aceitar um
indiciamento sem que haja nenhuma prova material que me incrimine. Tem
dinheiro depositado na conta de Rômulo ou da esposa dele? Quero abrir
meu sigilo bancário e o da minha esposa para que a Polícia Federal tenha
acesso às minhas contas, desde o período em que assumi meu mandato como
deputado federal. As provas são frágeis”, disse.
A autoria de uma emenda parlamentar apresentada na Câmara Federal
para garantir verbas destinadas ao projeto 'Jampa Digital' teria sido o
fato determinante para a interlocução do ex-assessor do deputado, Thiago
Claudino, com os proprietários da Ideia Digital. “O delegado coloca
tudo enquanto suposição. É o entendimento pessoal dele que eu não
concordo, mas respeito.
Se ele conseguiu as mensagens de seu Thiago, podia ter encontrado
mensagens minhas também. Pra quem lê a política e entende a política dá
pra observar perfeitamente que tem um alvo quando se percebe que vêm
denúncias no Mato Grosso, Pernambuco e na Paraíba, claro que tem um
alvo. Na verdade, tem um viés político. De onde vem? Não se sabe, mas
tem alguém que está patrocinando esse tipo de coisa, principalmente, da
forma como foi conduzida, lamentavelmente”, disse.
Devido à repercussão no meio político, especialmente na Assembleia
Legislativa, o vice-governador Rômulo Gouveia disse não temer a
instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, no entanto
ressaltou que discutir um problema municipal na AL seria um equívoco.
“Temer não, mas uma CPI tem que ter um fato determinado. O projeto está
na esfera municipal e não estadual. O governador, por sinal, não teve
absolutamente nenhuma participação na execução porque as secretarias têm
os seus respectivos ordenadores de despesas pra cada. Para ter uma CPI é
preciso que tenha um fato determinado. Não há um item de prova material
em todo o inquérito contra nós”, disse.
TRÊS ESCLARECIMENTOS DE RÔMULO
OFÍCIO ENCONTRADO DA IDEIA DIGITAL
A PF diz que encontrou um ofício que diz ser original, do deputado
Rômulo Gouveia, encaminhado ao Ministério da Ciência e Tecnologia sobre a
emenda. "Primeiro que o documento original não me pertence. Pertence
ao Ministério. Se ele dissesse que seria a segunda via recebido poderia
ter saído do meu gabinete e mesmo que tivesse saído, qualquer documento a
partir do momento que é expedido, é de domínio público. Não é sigiloso.
Não fui eu e é de domínio público", disse.
NOME NA AGENDA DO DONO DA IDEIA
Na agenda do proprietário da Ideia Digital tem, no dia 23 de setembro
de 2012, agendado um encontro com Rômulo. "Poderia ter sido comigo e se
ele me procurasse nada impediria de o receber. Sou homem público e
assumiria que o teria recebido, só que no dia 23, pela minha agenda
oficial divulgada, eu cumpria compromisso na universidade por estar
concluindo o curso de Direito, reunião na Cinep e, à tarde,
coincidentemente um debate com um juiz federal. À noite, tive
compromissos sociais e não teve nenhum encontro marcado com o dono da
Ideia Digital".
LIGAÇÃO DO EX-ASSESSOR COM A IDEIA
Em 2012, Thiago troca mensagens com o proprietário da Ideia Digital.
"Não posso me responsabilizar nem pelos atuais assessores, imaginem
pelo ex-assessor que trabalhou comigo em 2010 e em 2012 e, dois anos
depois, passa a manter contato com o empresário da Ideia. Que culpa
tenho eu se o Thiago Claudino trocou mensagem com o proprietário? Se
fosse na época, teria demitido. As mensagens dele são de prestação de
solidariedade ao empresário que também nem tem meu nome, nem nada que
diga que o senhor Thiago Claudino foi favorecido financeiramente pela
Ideia. O delegado deduz, supõe pela amizade e relação, que esse fato
levaria a favorecimento. Fui indiciado por corrupção passiva e para
indiciar esse alguém tem que solicitar ou receber dinheiro. Eu pergunto:
Aonde no inquérito se prova que eu recebi qualquer benefício dessa
empresa ou para outrem?", questionou Rômulo Gouveia.
ASSEMBLEIA QUER OUVIR INDICIADOS
Enquanto decidem se ‘emplacam’ uma Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) do Jampa Digital na Assembleia Legislativa (AL), os deputados de
oposição e situação divergem se a Casa teria autoridade para encampar
uma investigação. A oposição vai insistir na apuração e promete usar os
instrumentos legais para aprofundar as investigações e convocar os
indiciados para esclarecimentos na AL.
O líder das oposições, deputado Anísio Maia (PT), garantiu que a
partir da reunião com as representações dos partidos que fazem oposição
ao governador Ricardo Coutinho (PSB), pouco antes da sessão ordinária
de ontem, ficou acordado que os deputados defenderiam a ampla
investigação do caso, aprofundando informações contidas nos relatórios
da Polícia Federal (PF) e Advocacia Geral da União (AGU). “Nós da
oposição queremos esclarecer a opinião pública. Depois que analisarmos
todo o inquérito, veremos os passos a seguir. Está claro nos inquéritos
que o Jampa Digital foi utilizado para financiar a campanha do atual
governador. Não adianta desviar o foco. Nós vamos aprofundar a fundo.
Não está descartado nada", disse.
Quanto a ser atribuição dos deputados estaduais investigar os fatos
contidos no Inquérito de Indiciamento da PF, Anísio Maia ventilou a
possibilidade de convocar os indiciados e mais: quer aprofundar as
investigações sobre o possível uso de recursos na campanha de 2010. “A
CPI é um instrumento que podemos utilizar e há a possibilidade de
convocar todas as pessoas envolvidas. Nós temos competência porque diz
respeito ao governo e esse dinheiro foi responsável pela eleição do
atual governador, não tem como separar”, frisou.
Do lado da base governista, o deputado Hervázio Bezerra (PSDB)
destacou que não há uma prova sequer citada no relatório da PF contra o
governador Ricardo Coutinho e insiste que a polêmica sobre o Jampa
Digital é uma estratégia para ‘armar palanque eleitoral’. “O processo de
licitação foi totalmente lícito. Primeiro tem que ter premissas para
instalar uma CPI. A meu ver é mais um equívoco que alguns deputados
querem cometer porque esse assunto é da alçada da Câmara Municipal
porque o inquérito investigou a época em que o governador era prefeito
de João Pessoa e o procurador Gilberto Carneiro era secretário. Segundo,
existem quatro pedidos de CPI e o presidente mandou arquivar. Nós
recorremos e não nos foi comunicado até agora. É preciso levar ao
plenário para se decidir, porque ele é soberano”, rebateu.
Daniella Ribeiro (PP) e Raniery Paulino (PMDB) se mostraram
favoráveis à investigação e não descartaram a instalação de uma CPI, mas
preferiram a prudência quanto à conclusão das investigações dos demais
órgãos. Já o deputado Tião Gomes destacou o cunho político das
denúncias.
Wagner Lima
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