Foi
por conta dessa avaliação que Temer voltou na noite desta quarta-feira à
residência oficial do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves
(PMDB-RN), para se reunir com 15 peemedebistas e debater os rumos da
principal legenda da base dilmista.
Foi a segunda ida de Temer à casa de Henrique Alves,
somente nesta semana, para apaziguar ânimos de peemedebistas
descontentes com Dilma. Na terça-feira, o vice-presidente se encontrou
lá com 80 peemedebistas – maioria deputados federais.
Temer, Alves, o líder peemedebista na Câmara, Eduardo
Cunha (RJ), e o presidente nacional da legenda, senador Raul Raupp (RO),
conversaram separadamente sobre a relação PT-PMDB.
O vice-presidente insiste na manutenção da aliança com
Dilma na disputa de 2014. Esse argumento enfrenta muita resistência na
bancada do partido na Câmara, onde muitos deputados acusam Temer de
estar mais preocupado com a manutenção de seu cargo do que com a
situação dos parlamentares – especialmente na ocupação de cargos em
ministérios e na liberação de emendas orçamentárias.
Questionário de aliança
Os encontros têm recebido como justificativa oficial o
argumento de que Temer está debatendo os rumos do partido, após
identificar uma desconexão entre a política realizada pelo PMDB e o
pleito das manifestações que tomaram as ruas ao longo do mês de junho.
O pano de fundo das conversas, contudo, tem sido o pedido
de Temer para que cada deputado federal peemedebista dê trégua no
enfrentamento ao modelo de gestão de Dilma, criticada por não abrir um
diálogo direto como fazia o ex-presidente Lula
.
Temer está inclusive tomando nota dos pedidos dos
deputados para compor um quadro objetivo das demandas peemedebistas. Ele
já conversou com 65 dos 80 deputados federais do PMDB e deve concluir a
rodada de encontros individuais após o recesso de meio de ano. O
objetivo das conversas é estabelecer um pacto por um segundo semestre
menos conflituoso entre a bancada na Câmara e o Palácio do Planalto.
O ex-ministro Eliseu Padilha tem recebido os deputados
com uma espécie de questionário no qual respondem o que pensam sobre a
aliança com o PT, se estão dispostos a disputar reeleição, como estão em
aliança estadual e se têm candidato e chapa em seus estados para 2014.
Depois de respondido o questionário, os deputados são recebidos por
Temer.
O vice-presidente reunirá o material para depois
apresentar o balanço peemedebista à Dilma. Por enquanto, ele tem apenas
conversado sobre os resultados dos encontros com as ministras Ideli
Salvatti (Relações Institucionais) e Aloizio Mercadante (Educação),
convertido em principal articulador do Planalto com o Congresso.
A articulação de Temer com a base pela trégua à Dilma
inclui uma negociação conjunta entre Câmara e Planalto na definição do
novo Código da Mineração, conforme Henrique Alves antecipou ao iG
.
O novo marco regulatório da mineração no país deverá ser o
teste real para a nova postura que os líderes do PMDB planejam, no qual
o Planalto se disporia a elaborar projetos incluindo em suas propostas
demandas da base.
Toda essa articulação deve se transformar numa vitória da
bancada, que cobra do Planalto mais protagonismo na formulação de
propostas do governo. Uma vitória que Temer corre para capitanear como
parte do seu papel como vice-presidente, enquanto ao Planalto ele se
insinuaria como peça importante para um segundo mandato de Dilma.
IG
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